Plano de Negócios (Business Plan): o que é, por que e como fazer

 

O que é um Plano de Negócios?

O Plano de Negócios, do inglês Business Plan, é uma ferramenta de gestão com foco em planejamento que tem como produto um documento que descreve um empreendimento e o modelo de negócio que o permeia.

O Business Plan é considerado uma ferramenta de gestão porque a sua elaboração envolve um processo de pesquisa e aprendizagem que permite o empreendedor se posicionar no ambiente do negócio.

Essa ferramenta pode e deve ser utilizada por qualquer empreendedor que queira materializar o seu sonho, seguindo um caminho lógico e racional.

Um bom Plano de Negócios deve expor as ideias do empreendedor com uma linguagem simples e objetiva, de forma que os leitores possam compreender a viabilidade do negócio e a probabilidade de sucesso.

 

Por que fazer um Plano de Negócios?

Um dos maiores nomes do Brasil em empreendedorismo e Plano de Negócios, José Dornelas, descreve em seu livro Empreendedorismo: Transformando Ideias em Negócios que o índice de mortalidade das micro e pequenas empresas no mundo é alto. Mesmo em países como os Estados Unidos, referência em empreendedorismo, a mortalidade das startups também é alta, chegando a índices superiores a 50% em algumas áreas de negócios.

No Brasil, várias pesquisas realizadas pelo SEBRAE-SP anualmente revelam que os fatores de mortalidade das empresas não são muito diferentes. A falta de planejamento aparece nos primeiros lugares como a principal causa para o insucesso, seguida de deficiências de gestão financeira, de vendas, de produtos, conjuntura econômica e fatores pessoais.

Felizmente o movimento de popularização do Plano de Negócios no Brasil tem sido intensificado desde o início da década 1990, inicialmente por meio do Programa Softex (incentivo a exportação de software nacional), seguido pelo Programa Brasil Empreendedor entre muitas outras iniciativas como a Endeavor, que contribuem muito para combatermos a falta de cultura de planejamento do brasileiro e disseminarmos a utilização de ferramentas como o Business Plan.

 

Quais os públicos-alvo de um Business Plan?

Tendemos a pensar que o Business Plan se destina exclusivamente a investidores e bancos como potenciais financiadores de um empreendimento, mas essa percepção está equivocada. Quando se constrói um Plano de Negócios, pode-se pensar especificamente em diversos públicos-alvo:

  • Investidores: para a busca de recursos financeiros em empresas de capital de risco, investidores-anjo, BNDES, bancos de investimentos, pessoas jurídicas em geral etc.
  • Bancos: para aprovação de financiamentos para equipamentos, capital de giro, expansão, aquisição de imóveis etc.
  • Mantenedores de incubadoras: para buscar financiamentos em organizações como SEBRAE, universidades, prefeituras, associações etc.
  • Fornecedores: para facilitar negociações na compra de mercadorias, matéria-prima, equipamentos etc.
  • Clientes: para contribuir na venda de produtos ou na imagem institucional da empresa;
  • Sócios: para contribuir na venda de um projeto (empreendimento) e formalização da sociedade;
  • Liderança e Conselho Administrativo: para comunicação dos executivos com o conselho de administração e com a equipe de liderança;
  • Parceiros: para definição de estratégias e definição de formatos de interação entre as partes.

 

Para que serve um Plano de Negócios?

Segundo Dornelas cita em seu livro, uma pesquisa com ex-alunos americanos de administração da Harvard Business School conclui que um bom Plano de Negócios aumenta em 60% a probabilidade do sucesso no negócio.

Muitos acreditam que depois de uma empresa em funcionamento não faz mais sentido um Plano de Negócios, esta é uma visão equivocada, pois o Business Plan se aplica tanto no lançamento de um novo empreendimento quanto no planejamento de empresas em plena operação.

Além de contribuir para a obtenção de recursos financeiros junto a bancos, investidores-anjo, governo, incubadoras, empresas de capital de risco, o plano de negócio também serve para:

  • Compreender o negócio e estabelecer as diretrizes;
  • Contribuir na gestão do negócio, principalmente na tomada de decisões;
  • Identificação de oportunidades para o negócio;
  • Aprimorar a comunicação do público interno (conselho e liderança) e externo (fornecedores, clientes)
  • Monitoramento da operação da empresa;

Mesmo com todos esses benefícios, é muito comum escutarmos de empreendedores: “não preciso de um plano, tenho todo ele na minha cabeça” ou ainda “não tenho tempo para fazer”.

 

A estrutura de um Business Plan

Ao construir um Plano de Negócios não há uma estrutura rígida a ser seguida, cada negócio tem as suas características, semelhanças e especificidades. Muitas bibliografias trazem roteiros com orientações importantes, mas de fato não há rigidez na estrutura.

De modo geral, um Business Plan deve pelo menos trazer claramente o entendimento completo do negócio, o que você vende, o seu mercado-alvo e os resultados econômicos e financeiros reais e/ou previstos do empreendimento.

Apresentamos abaixo uma referência de estrutura com algumas ferramentas que poderão lhe ajudar a desenvolver os conteúdos e análises de cada capítulo do seu Business Plan:

  • Sumário Executivo: síntese de todas as informações que constam no plano de forma muito sintética. Tem de ser um texto muito didático e atrativo pois o leitor tomará a decisão de continuar lendo o seu plano de acordo com a qualidade do seu sumário. Apesar de ser colocado no início do documento, deve ser a última parte a ser construída no plano.
  • Conceito do negócio: definição do conceito do negócio e apresentação da oportunidade;
  • Mercado e concorrentes: análise das informações de mercado sobre o setor ou segmento do empreendimento, características dos consumidores e oportunidades oferecidas. Definição e análise do público-alvo e personas. Quem são e o que fazem os principais concorrentes.

Este capítulo tem tudo para ser o mais extenso do seu Plano de Negócios. Nele são aplicáveis ferramentas e ações como: benchmarking, pesquisas e análise de dados disponíveis em associações de classe; e pesquisas e análise de concorrentes.

  • Produtos e serviços: definição e apresentação das características dos produtos e/ou serviços com os respectivos benefícios e diferenciais.
  • Estrutura, operação e equipe: descrição dos processos-chave operacionais e modelo de gestão do negócio. Descrição das regulamentações e certificações necessárias. Especificação de acordos e parceiras. Definição da estrutura organizacional e descrições das atribuições dos principais gestores.
  • Marketing e vendas: definição das origens das receitas, política comercial, estratégias de comunicação, vendas e distribuição. Projeções de vendas. Definição da localização.
  • Estratégia de crescimento: definição das oportunidades de escalar o negócio, as metas de crescimento, análise e ações sobre os pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças, assim como os riscos do negócio. Para este capítulo são aplicáveis ferramentas como: análise SWOT para definir a estratégia do negócio e a matriz BCG para tratar da gestão de produtos.
  • Investimento: levantamento do valor investido até o momento e o valor necessário para operacionalização do negócio, elaboração de propostas de aporte e/ou empréstimos de investidores.
  • Resultados econômicos e financeiros: projeção do fluxo de caixa, desenvolvimento do demonstrativo de resultados (DRE) econômicos e estabelecimento de indicadores como: breakeven point, playback, ROI etc.

 

Cuidados com o Plano de Negócios

O Business Plan é uma ferramenta que “tem vida”, ou seja, deve ser atualizado sistematicamente. Uma vez construído não pode ser esquecido. O mercado está em constante mutação, os concorrentes mudam e as pessoas mudam.

O Plano de Negócios não deve ser feito apenas para “inglês ver”, às pressas, sem fundamentação e com números “mágicos”. Se feito dessa forma:

  1. Nenhum “inglês” vai acreditar no seu plano;
  2. Em vez de “cartão de visitas”, seu plano será o seu cartão de desqualificação;
  3. Ele perderá a contribuição na gestão do seu negócio, devido aos números mágicos e projeções ilusórias.

 

Considerações finais

Se você é um empreendedor, não deixe de construir um bom Business Plan para o seu negócio. Estude e se aprofunde neste tema. Invista tempo em pesquisa sobre o setor e o segmento que ele está inserido. Conheça os seus concorrentes e estabeleça os números econômicos e financeiros.

Querendo conhecer mais sobre o assunto, leia em nosso site o case de Plano de Negócios da empresa BurgerCue. Precisando de ajuda para desenvolver o seu Business Plan? Entre em contato conosco.

 

Autor: Rodrigo de Paula | Sócio da VBMC Consultores

 

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